O figo, fruto da figueira-comum (Ficus carica) uma árvore da família Moraceae, está presente em todos os continentes, com excepção da Antárctica.

Os figos são caracterizados pela sua estrutura carnuda e suculenta. Variam drasticamente na cor, apresentando uma coloração branco-amarelada que pode ir até roxa, e variam igualmente na textura subtil, dependendo da variedade. Estão disponíveis de Junho a Setembro, embora alguns figos europeus estejam, frequentemente, disponíveis durante o Outono. Os figos secos estão disponíveis durante todo o ano.

Os figos são o único fruto que têm uma abertura, chamada de “ostíolo" ou "olho", que não é ligado à árvore, mas que ajuda o desenvolvimento da fruta, aumentando a sua comunicação com o meio ambiente.

Simbolicamente, podemos dizer que o figo existe desde o início dos tempos, já que a sua árvore, a figueira, é a primeira planta descrita na Bíblia, no livro do Gênesis, quando Adão se veste com as suas folhas, ao notar que está nu.

A figueira é originária da região do Mediterrâneo e o seu uso iniciou-se na Idade da Pedra. Trata-se de umas das primeiras plantas cultivadas pelo homem. O figo comestível era cultivado em todas as civilizações do Mediterrâneo, na antiguidade, incluindo os povos egípcios, judeus, gregos e romanos.

O figo tinha a vantagem de poder ser seco e de se manter adequado à alimentação durante meses. Para atravessar o deserto, os povos antigos do Médio Oriente e norte da África utilizavam frutas secas, entre elas o figo, ricas em nutrientes e fáceis de conservar.

Foram os romanos que levaram o figo da região do Mediterrâneo para o resto da Europa, onde continuou a ser um alimento venerado: na França, por exemplo, onde foi introduzido no final do século VIII, era comida de reis. Luis XIV mantinha uma plantação no palácio de Versalhes com mais de 700 figueiras só para abastecer a mesa real.

E, à semelhança do que acontece com os vinhos e champanhes, os franceses têm hoje os seus figos com “denominação de origem controlada”.

Fenícios, egípcios, gregos e romanos veneravam a figueira e o figo. Durante o Império Romano, era considerado sagrado: na mitologia romana, a loba que alimentou Rómulo e Remo, fundadores de Roma, descansou sob uma figueira. Era também considerado um fruto sagrado para os judeus, fazendo parte dos sete alimentos que crescem na Terra Prometida.

Na Grécia Antiga, era tão valorizado que foram criadas leis para proibir que os figos de melhor qualidade fossem exportados. Maias e astecas utilizavam a casca de figueiras nativas da região para produzir o papel utilizado nos seus livros sagrados.

Atualmente, a Califórnia é um dos maiores produtores de figos, além da Turquia, Grécia, Portugal e Espanha.

Fruto
A estrutura carnosa e suculenta de formato periforme, comestível, de coloração brancoamarelada até roxa, conhecida como "figo", encerra em seu interior os inúmeros frutos desta espécie, que são freqüentemente confundidos com sementes.

Informações gerais
Presume-se que as primeiras figueiras com toda a sua história e seus mistérios, tenham chegado às terras brasileiras já no século XVI. Sob a orientação do Instituto Agronômico de Campinas, após a queda da produção cafeeira no início dos anos 30 e muitas vezes, em substituição a mesma, deu-se um grande impulso à produção de figos associada à de uvas no estado de São Paulo. Ali se destacavam as regiões compreendidas entre Campinas, Itatiba, Valinhos, Jundiaí, São Paulo e Mogi das Cruzes, sendo algumas delas até os dias de hoje, bastante produtivas.

O fruto da figueira é geralmente identificado como o figo, propriamente dito. No entanto, este não passa de um receptáculo carnoso, de casca fina e macia, em cujo interior encontram-se os verdadeiros frutinhos, as sementinhas e os restos das flores da figueira sendo todo conjunto completamente comestível. Por dentro, a massa rosada ou esbranquiçada é refrescante e se desmancha na boca, podendo variar o seu sabor entre o insípido e o muito doce.

Assim, de acordo com sua destinação futura, os frutos das figueiras devem ser colhidos em diferentes estágios de maturação: os figos verdes se destinam basicamente à industrialização de doces em compotas; os inchados são usados para a produção do figo-rami, espécie de passa de figo; os maduros são para produção de doces em pasta ou figada, ou ainda para consumo in natura.

Conforme as características de suas flores e formas de frutificação, existem quatro tipos gerais de fícus carica: caprifigo, smirna, comum e São Pedro Branco, sendo que as variedades mais cultivadas em todo o mundo pertencem ao tipo comum. No Brasil, ocorre o mesmo: a variedade roxo de Valinhos (município do interior de São Paulo onde a produção de figos é bastante antiga e volumosa) é a mais cultivada comercialmente e pertence, também, ao tipo comum.

A figueira desenvolve bem nas regiões subtropicais temperadas, mas tem grande capacidade de adaptação climática.

No Brasil, exemplo de adaptabilidade é o sucesso obtido em culturas tanto no estado do Rio Grande do Sul, em região de clima frio, como nas regiões serranas do estado de Pernambuco, no Nordeste quente do país. Essa capacidade de adaptação se reflete também, no porte da árvore, que pode variar muito dependendo do clima da região em que tenha nascido e do tratamento que lhe for dispensado