Apesar de ser cultivada em suas regiões de origem há mais de 4 mil anos, sua introdução em outras terras foi muito lenta: a viagem das mangas pelo mundo iniciou-se apenas com a descoberta das rotas comerciais marítimas entre a Europa e a Ásia, no início do século 16. Foram os portugueses, mais uma vez, que fizeram esse trabalho, levando as mangas, primeiro, para as costas leste e oeste da África trazendo-a, depois, para a América.

Apenas por volta de 1700, segundo o estudioso Pimentel Gomes, o Brasil, ou melhor, a Bahia, recebeu as primeiras mudas de mangueiras indianas. Dali, foram para o México no século 19, de onde atingiram a região da Flórida.

Os deliciosos e excelentes frutos das mangueiras são cultivados, atualmente, em todos os países da faixa tropical e equatorial do globo.

No Brasil, a fruta foi amplamente disseminada. De acordo com Pio Corrêa, a mangueira foi a árvore asiática que melhor se adaptou ao clima brasileiro, produzindo inúmeras variedades, tornando-se quase obrigatória na paisagem do norte e do nordeste do país, e sendo facilmente encontrada em cultivo na Amazônia e nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.

Diferentes árvores que produzem diferentes mangas, podem ser encontradas, aos montes, em chácaras e fazendas, em pomares e quintais urbanos e rurais, em pequenas e médias propriedades, além de estarem presentes em espaços públicos como parques, pragas, ruas e avenidas por todo o país.

A cidade de Belém é um exemplo eloqüente dessa abundância, tendo se tornado famosa por suas mangueiras.

Noutro extremo do país, na cidade do Rio de Janeiro, as mangueiras também eram tantas que acabaram dando o nome a um bairro, a uma parada de trem e a uma escola de samba: a "verde e rosa" Estação Primeira de Mangueira.

Se a manga é uma fruta "de verdade', de polpa carnuda, gostosa, perfumada, consistente, cheia de água e de açúcares, as mangueiras são árvores frondosas, de longuíssima duração e de frutificação abundante. Tudo isso faz com que sejam árvores muito valiosas para quem as possui.

Os frutos são lindos e também variados em seus tamanhos, formatos, sabores e cores: por fora, as mangas podem ser verdes, verdes com pintas pretas, amareladas, alaranjadas, douradas, róseas ou violáceas.

Dentro da manga - envolvido por uma polpa de cor e sabor fortes, mais ou menos carnuda, mais ou menos doce, mais ou menos fibrosa, dependendo da qualidade da fruta encontra- se o caroço, grande, achatado e fibroso.

É notável a grande variação apresentada pelos frutos das mangueiras, em todo o mundo: nos livros encontram- se referências que variam entre um número de 500 e 1000 variedades existentes. No Brasil, as mangas são também encontradas em grande diversidade: apenas entre as mais comuns e conhecidas pela população em geral, Pimentel Gomes cita e descreve 36 variedades, todas elas de fácil ocorrência.

No entanto, as variedades de mangas mais cultivadas em pomares comerciais alcançam menor número. Basicamente, são variedades obtidas após cuidadoso processo de seleção e de melhoria da fruta, tendo em vista diminuir a quantidade de fibras e de fiapos em sua polpa carnuda, e privilegiar as cores vermelhas e rosadas, mais apreciadas na frota destinada à exportação.

Características da planta
Árvore de grande porte que pode chegar até 30 m de altura com copa densa e frondosa. Folhas coriáceas, de coloração avermelhada quando jovem e verde-escura posteriormente. Flores pequenas alvas, róseas ou esverdeadas.

Fruto
De forma alongada, ovóide ou arredondada, casca esverdeada com manchas pretas, amarelas ou róseas quando maduro. Polpa carnosa, suculenta comestível, de coloração amarela ou amarelo-alaranjada, fibrosa em algumas variedades. Semente achatada de tamanho variável.